O velho ancião e seu cavalo branco

Publicado em: Meditação Data: 2015-07-04 Visualizações: 1449

Há uma história que conta que em uma aldeia havia um ancião muito pobre, mas até os reis lhe invejavam porque possuía um formoso cavalo branco.

Os reis lhe ofereceram quantidades fabulosas pelo cavalo mas o homem dizia:

- “ Para mim ele não é um cavalo; é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?”.

Era um homem pobre, mas nunca vendeu seu cavalo.

Uma manhã descobriu que o cavalo já não estava no estábulo.
Todo o povo se reuniu dizendo:
- “Velho tolo. Sabíamos que algum dia lhe roubariam o cavalo. Teria sido melhor se o tivesse vendido. Que desgraça!”.

- “Não vamos tão longe”, disse o ancião.
“Simplesmente digamos que o cavalo não está no estábulo. Este é o fato. Todo o resto é seu julgamento. Se for uma desgraça ou uma sorte eu não sei,
porque isto é apenas um fragmento. Quem sabe o que vai acontecer amanhã?”.

Todos riram dele. Acreditavam que o ancião estava meio louco. Mas depois de 15 dias, uma noite o cavalo retornou.
Não tinha sido roubado, mas havia escapado. E não foi só isso, ele retornou e trouxe consigo uma dúzia de cavalos selvagens. De novo o povo se reuniu
dizendo:
- “Tinha razão o velho. Não foi uma desgraça mas uma verdadeira sorte”.

- “De novo estão indo muito longe”, disse o ancião.
“Digam só que o cavalo voltou. Quem sabe se foi uma sorte ou não? É só um fragmento. Estão lendo apenas uma palavra de uma oração. Como podem
julgar o livro inteiro?”.

Ninguém disse mais nada, mas por dentro sabiam que ele estava equivocado. Afinal haviam chegado doze cavalos formosos.
O velho tinha um filho que começou a treinar aos cavalos. Uma semana mais tarde ele caiu de um cavalo e quebrou as duas pernas. O povo voltou a se
reunir e a julgar
- “De novo o velho tinha razão”, disseram. Era uma desgraça, seu único filho perdeu o jogo das pernas e, na sua idade ele era seu único sustento. Agora
estava mais pobre que nunca”.

- “Estão obcecados julgando”, disse o ancião. “Não vão tão longe. Só digam que meu filho quebrou as duas pernas. Ninguém sabe se foi uma desgraça ou
uma fortuna. A vida vem em fragmentos, e nunca nos dá mais que isto”.

Aconteceu que, poucas semanas depois o país entrou em guerra e todos os jovens do povoado foram chamados pelo exército. Só se salvou o filho do
ancião porque estava aleijado. O povo inteiro chorava e se queixava porque era uma guerra perdida de antemão e sabiam que a maioria dos jovens não
voltariam.

- “Tinha razão velho. Era uma sorte. Embora aleijado seu filho ainda estava com ele, enquanto os nossos se foram e não sabemos se voltam.

- “Seguem julgando”, disse o velho. Ninguém sabe. Só digam que seus filhos foram obrigados a unir-se ao exército e que meu filho não . Só Deus sabe se
foi uma desgraça ou uma sorte”.

Assim acontece conosco sempre que formamos uma opinião ou um julgamento: estancamo-nos; nos escravizamos.

Nosso mundo é de dualidades. Toda situação passa, a boa e a ruim. Devemos aceitar essa realidade, não criar vínculos com situações que sabemos ser passageiras, e todas são passageiras. Não importa quanto tempo dure uma situação qualquer, um dia ela passará. Tampouco devemos criar expectativas exageradas com relação ao futuro, pois nossa vida é dinâmica e as situações se modificam sempre. Aceitar com tranquilidade e equilíbrio o que a vida nos trás, alivia nosso coração. Tudo que nos vem é exatamente o que precisamos naquele momento. Reagir e revoltar somente piora as coisas. Quantas vezes acontece algo em nossas vidas que a principio parecia ser uma desgraça e que no futuro se revela uma bênção? Ou do contrário, algo que vem como uma grande conquista e que depois se revela um equívoco? É preciso não julgar, pois o que vemos são fragmentos, enquanto o Universo (Deus) vê o todo.