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Pulseira de Miçanga Indígena - Huni Kuin (Kaxinawá) - Acre

Pulseira de Miçanga Indígena - Huni Kuin (Kaxinawá) - Acre

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Nós recomendamos porque o artesanato Huni Kuin é muito importante para a Aldeia, seja no sustento familiar e também na conservação das tradições ancestrais.  Em cada arte existe a “impressão” dos Kenês, que possuem significado sagrado para os indígenas, criando a conexão com seres da floresta, invocando a coragem, força, poder e sabedoria.

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Descrição

Detalhes

Pulseira de Miçanga Indígena - Huni Kuin

Artesã: Socorro Huni Kuin, T.I. Kaxinawá Praia do Carapanã, Acre

Comprimento médio da pulseira: 16,5 cm


O artesanato Huni Kuin é muito importante para a Aldeia, seja no sustento familiar e também na conservação das tradições ancestrais.  Em cada arte existe a “impressão” dos Kenês, que possuem significado sagrado para os indígenas, criando a conexão com seres da floresta, invocando a coragem, força, poder e sabedoria.

Os Kenês estão presentes em pinturas corporais, desenhos nas peças em miçangas ou em algodão cru.

As pulseiras são feitas de forma artesanal, utilizando-se mini-teares em madeira.

Curiosidade: As mulheres da Tribo preferem miçangas importadas da República Checa, pois são mais resistentes e com melhor acabamento, resultando assim em um artesanato bem uniforme.

Adquirindo artesanato indígena, você está diretamente ajudando  na preservação da cultura indígena, na preservação da floresta e no resgate de culturas ancestrais, pois o artesanato indígena representa, acima de tudo, a essência de um povo, seu modo de vida, pensamento, cultura e costumes.

Os artefatos produzido manualmente pelos índios podem ser utilizados no dia-a-dia, mas também possuem significado socioambiental, estético e cerimonial.

Temos muito a aprender com os povos indígenas, principalmente com seu caminho sagrado da vida, buscado uma conexão profunda com tudo que existe: nós mesmos, nossa comida, nossos relacionamentos, os elementos que nos rodeiam e com a Mãe Terra.


Kene Kuin – Os desenhos da Jibóia

“Desenho verdadeiro” é o nome dado ao Kene kuin, na língua Huni Kuin, e significa o sistema de padrões gráficos deste povo indígena.
As narrativas míticas Huni Kuin contam que estes desenhos vieram da pele de Yube, a Jibóia. Os Huni Kuin consideram que as mulheres são as donas dos desenhos, e podem fazê-los utilizando técnicas como a tecelagem em algodão, arte em miçanga, cestaria, pintá-los nas peças cerâmicas e no próprio corpo utilizando pigmentos naturais, como urucum e jenipapo.


Conheça um pouco mais sobre os Kaxinawá

Kaxinawá - Sociedade envolvente e resistência cultural

O povo Kaxinawá ou Huni Kuin (gente verdadeira) como eles se denominam, vive em terras situadas no Brasil e no Peru. No Brasil, o território do povo Kaxinawá localiza-se no Estado do Acre, nas regiões dos Vales do Purus e Juruá, enquanto que no Peru seu território está localizado a partir do rio Curanja. As comunidades Kaxinawá, no Estado do Acre, estão localizadas em 11 terras indígenas, das quais três são compartilhadas com os Ashaninka, os Shanenawá e os Madijá; distribuídas por cinco municípios corres-pondendo a uma área de 633.213 ha. Com uma população de aproximadamente 3.964 pessoas, perfazem um percentual de 42% da população indígena do Acre, ou seja, é o povo de maior contingente populacional do Estado. Sua língua pertence à família lingüística Pano, que eles chamam de hatxa-kuin (língua verdadeira), cuja riqueza manifesta-se inclusive pela diversidade musical.

Para os Kaxinawá a terra é de uso coletivo; as famílias, chefiadas pelos homens fazem seus roçados, utilizando os espaços disponíveis para o plantio de forma que toda a comunidade possa utilizá-los. Os trabalhos na aldeia são divididos por sexo e por idade. Há atividades realizadas somente por mulheres, outras exclusivamente por homens, algumas reservadas para os mais jovens, mas há também trabalhos que podem ser realizados por qualquer pessoa da comunidade, de ambos os sexos e de qualquer faixa etária.

Os Kaxinawá possuem uma vasta cultura material que vai desde a tecelagem em algodão, com tingimento natural, até a cerâmica feita em argila com cinzas obtidas de animais, árvores e ainda trabalho com miçangas, onde são impressos os kenê (desenhos da cobra), uma espécie de marca que identifica a cultura material dos Kaxinawá, cujo significado está relacionado à coragem, força, poder e sabedoria. O artesanato se configura como uma das principais fontes de renda das famílias Kaxinawá, devido ao seu belo design tem uma grande aceitação no mercado regional e até mesmo nacional.

Na sociedade Kaxinawá, tradicionalmente, há uma organização social que gira em torno de grupos de famílias extensas, com destaque a duas figuras: a liderança e o pajé. A liderança porque tem um poder político de arregimentar a comunidade em torno dos interesse da coletividade, e o pajé porque tem o poder espiritual, da cura, de fazer e desfazer feitiços, o poder mágico-religioso.

Embora os pajés tenham sido uma das figuras mais atingidas das sociedades indígenas durante o processo de colonização da Amazônia, a sociedade Kaxinawá ainda os mantém como elemento significativo em sua cultura. Os colonizadores sabiam que extinguindo o poder mágico-religioso e político das sociedades indígenas, minava-se a base da organização social das populações nativas. Todavia, os Kaxinawá resistiram. Mesmo vivendo em uma correlação desfavorável de forças com a sociedade envolvente, sendo vítimas de discriminação e preconceitos, ainda assim mantêm vivos aspectos essenciais de suas tradições, como por exemplo, o ritual xamânico. Na cultura Kaxi-nawá, o xamanismo, propicia a ligação das pessoas com o yuxin, que está fora da natureza e fora do humano, é o sobrenatural e o sobre-humano. Através dos poderes do pajé, que vão desde conhecimentos para curar doenças até o contato com o lado espiritual da realidade se estabelece a ligação dos Kaxinawá com a força vital que permeia todos os fenômenos vivos na terra, nas águas e nos céus e que baliza sua cosmovisão.

Além de manter viva sua identidade cultural, os Kaxinawá, através de suas entidades representativas conseguem equilibrar suas relações com a sociedade envolvente. Tanto os do Vale do Juruá, quanto os do Purus possuem associações, que viabilizam projetos que vão desde a produção agrícola, importante para a subsistência das comunidades, até atividades de educação escolar, fundamentais, na medida em que proporcionam o letramento, um importante instrumento de resistência que permite às comunidades indígenas ler os códigos da sociedade envolvente, além de viabilizar um resgate e revitalização cultural.

Dentre as organizações indígenas há, por exemplo, a ASKARJ (Associação dos Seringueiros Kaxinawás do Rio Jordão) ou a APAMINKTAJ (Associação das Produtoras de Artesanato das Mulheres Trabalhadoras de Tarauacá e Jordão), atuando no interesse das comunidades Kaxinawá. Por meio de associações como essas são firmadas parcerias com organizações não-governamentais indígenas e não-indígenas, tais como a CPI/AC (Comissão Pró índio do Acre), com projetos na área educacional ou a UNI (União das Nações Indígenas) que no ano de 2001 realizou o 1º Encontro das Artesãs Indígenas do Acre e sul do Amazonas. Outras entidades, como a OXFAM/Inglaterra ou a WWF, viabilizaram projetos no intuito de garantir a utilização racional e preservação de recursos naturais existentes nos territórios indígenas. Outras instituições têm firmado parcerias com o povo Kaxinawá, com destaque para ações na área de produção extrativista, como o BASA (Banco da Amazônia) ou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social). Há também entre os Kaxinawá e os demais povos a presença da União através da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que concentra seus esforços em processos de identificação e demarcação das terras indígenas.

Os povos indígenas, e nesse caso os Kaxinawá, vivem um constante confronto entre as suas tradições e as imposições da sociedade envol-vente; do mundo urbano, ou civilizado, como alguns etnocentristas denominariam, e a realidade dos homens que vivem na floresta e dela tiram seu sustento. Nesse contexto de disputas que perpassam a questão agrária, indo até a cultura desses povos, é que se organizam as lutas pelo respeito ao direito de ser o que se é. O direito de ter direito a ser índio. Os povos da floresta mantêm suas tradições, suas crenças, suas culturas vivas dentro de si, mostrando uma força que nem os mais de 400 anos de colonização e massacre amazônicos foram capazes de romper, fazendo ver e crer que é a partir da afirmação de sua identidade indígena que terão seus direitos e seus anseios assegurados.

Texto de Paulo Roberto Nunes Ferreira

PÍCOLLI, Jacó C. Sociedades Tribais e a Expansão da Economia da Borracha na área do Juruá e Purus. São Paulo: 1993. 530 p. Tese Doutorado em Ciências Sociais) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

IGLESIAS, Marcelo P. Kaxinawá do Rio Jordão: história, território, economia e desenvolvimento sustentável. Rio Branco AC: 1992.

LAGRO, Elsje M. Uma Etnografia da Cultura Kaxinawá: entre a cobra e o inca. Florianópolis SC: Universidade Federal do Santa Catariana – UFSC,1991.

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